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Hoje (Sexta-feira, 5) | lançamento | Revista Tatuí de Crítica de Arte n.6

last modified 2009-06-05 16:41

Arte e Política na Revista Tatuí de Crítica de Arte n.6
Artistas e acadêmicos se encontram para “discutir” sobre arte e política na nova edição da revista lançada nesta sexta-feira (5/06), no Ateliê Branco do Olho

A Revista Tatuí de Crítica de Arte sempre demonstrou em suas edições a importância de abordar grandes questões da arte. E um assunto caro para a área, notadamente desde o início do século XX, é o “engajamento da arte” como ferramenta de mobilização social. Será que a arte precisa ser política para existir como arte? E como os posicionamentos estético-políticos dos diversos agentes (críticos, curadores, produtores...) no campo da arte inluenciam a recepção da arte? Esses dilemas juntos formam a força motriz para a produção da 6° edição da Revista Tatuí de Crítica de Arte – Arte e Política, que ganha noite de lançamento – com distribuição gratuita da edição - nessa sexta-feira, 5 de junho, às 20h, no Ateliê Branco do Olho. Na mesma ocasião acontece também a abertura da Exposição Condomínio Branco do Olho, com os artistas Fabiano Marques, Luciana Padilha e João Manuel Feliciano com fotografia, vídeo, performance, desenho e instalação.
A Revista Tatuí de Crítica de Arte pelo Sistema de Incentivo à Cultura / Prefeitura do Recife, com apoio cultural da Qualix Serviços Ambientais.
Na mão das editoras, pesquisadoras e críticas de arte, Clarissa Diniz e Ana Luisa Lima, o viés arte e política se transformou em sete textos/estudos assinados por pensadores do assunto: artistas e acadêmicos.  Entre os nomes e temas, o relato da artista plástica e estudiosa Mariana Smith, com o texto Fortaleza sem sabor; do artista plástico Deyson Gilbert, integrante do Grupo de Estudos de Crítica e Curadoria da USP/SP e diretor e coordenador do grupo de teatro e perfomance "Núcleo Lastro", que escreveu em parceria com o historiador de arte Gustavo Motta o texto Arte, política e crítica como fetiche; e ainda Fernanda Albuquerque, curadora associada de artes visuais do Centro Cultural São Paulo e mestra em arte, que participa da revista trazendo uma entrevista com o reconhecido Miguel Chaia, sob o título: No fio da Navalha.

“Em cada texto, a diversidade de enfoques e posicionamentos ideológicos dos autores, que, de maneira mais abrangente, reflete uma geração que tem crescido sob uma nuvem de ideologias e sistemas sócioeconômicos – com suas respectivas construções estéticas – conflitantes e em certa medida, aparentemente falidas; ou, ao menos, confessadamente em crise”, aponta o editorial. Chaia, por exemplo, é hoje um dos mais conceituados sociólogos da arte; é também professor da PUC/São Paulo e coordenador e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da Universidade; com mais de 17 teses publicadas sobre o assunto. “Escolhemos pessoas que pudessem discutir o tema em vários âmbitos. Por isso a participação de um artista para falar sobre a execução das políticas públicas que direcionam e afetam a criação do artista; de pessoas que já estavam preocupadas com estas questões em âmbito nacional”, diz Clarissa Diniz.

A publicação presenteia o leitor com uma teia de ideias e textos absolutamente polissêmicos. O que também é essencialmente a proposta da Revista Tatuí de Crítica de Arte: estimular o pensamento sem formatar conceitos instransponíveis. Ao contrário, a ideia é abri-los.  “Procurar entender o posicionamento do crítico e do curador é sempre um objetivo percorrido pela Tatuí. Na n.6 começamos a traçar qual ação política dentro desse processo. Afinal o artista, o curador, o crítico tem um posicionamento político. Esse lugar escolhido reflete no olhar sobre a obra, em sua criação e até na forma como o trabalho é entendido pelo público", explica a crítica de arte Ana Luisa Lima.

Com projeto gráfico assinado pela artista Daniela Brilhante e ilustração e pesquisa de imagem sob a responsabilidade do artista Fernando Peres, a publicação mostra que dá mais um salto na direção da consolidação editorial como uma das mais importantes publicações independents na área. A Revista Tatuí pode, após o lançamento, também pode ser encontrada na Livraria Cultura, Canal Contemporâneo e Livraria da Travessa à venda por R$ 8.

Revista Tatuí de Crítica de Arte - nasceu no Recife em 2006, durante a Semana de Artes Visuais do Recife (SPA das Artes). Inicialmente, idealizada como forma de acompanhar as ações realizadas durante o evento, refletindo criticamente acerca delas, num conjunto de textos publicado em formato de fanzine. Desde então vem cumprindo papel fundamental como fomentadora da crítica de arte independente ao veicular as pesquisas e experiências de parte da população artística brasileira. Em 2007, a Tatuí lançou outros dois números com colaboração de críticos, curadores, artistas, cronistas e arte-educadores não só de Recife como de outras partes do País, indo além das questões locais para referir-se à cena artística nacional. No ano seguinte, foi contemplada no edital do Sistema de Incentivo a Cultura da Cidade do Recife com um projeto para realizar mais quatro edições da revista e no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura - FUNCULTURA para a alimentação do site durante 10 meses e, ao final deste período, publicar esses textos numa edição impressa especial.

EXPOSIÇÃO DO BO - O lançamento acontece junto com a abertura da exposição de Fabiano Marques, Luciana Padilha e João Manuel Feliciano, dentro do Projeto Condomínio Branco do Olho, um programa de residência artística que já contou com a participação de artistas como Thula Kavasaki, Luiz Rodolfo Annes, Lucas Bambozzi e Vitor Cesar. Essa exposição encerra o ciclo de residências e exposições.
João Manuel Feliciano prossegue com a pesquisa Capillus, apresentando uma nova serie de fotos intituladas Aedificatore Capillus e Lux Capillus; Luciana Padilha traz uma pesquisa sobre o tempo; e Fabiano levanta uma série de projetos artísticos, frustrados ou não. A exposição vai contar com fotografia, vídeo, performance, desenho e instalação.

SOBRE OS COLABORADORES:
DEYSON GILBERT
Formado em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo (USP), desde de 2006 integra o “Grupo de Estudos de Crítica e Curadoria da USP” orientado por Tadeu Chiarelli. Como artista plástico, participou de diversas exposições e salões, dentre elas, destacando-se sua participação no Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto - Santo André (SP) do ano de 2006, momento em que sua obra recebeu o prêmio aquisição do salão; e a montagem da instalação "Sobre a Pontualidade e Humor Britânicos (...)" no 12° Festival da Cultura Inglesa, ocasião em que recebeu o prêmio de melhor trabalho do festival. Atualmente se dedica à direção e coordenação do grupo de teatro e perfomance "Núcleo Lastro" em São Paulo; e ao desenvolvimento da pesquisa "Sobre os conceitos e objetos", selecionada com o prêmio bolsa de pesquisa no 47°Salão de Artes Plásticas de Pernambuco.

GUSTAVO MOTTA
Gustavo Motta é historiador de arte, mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre arte moderna brasileira das décadas de 1960-70.

MARIANA SMITH
Mariana Smith (São Paulo, 1981) Vive em Fortaleza desde de sempre. É formada em Comunicação Social pela UFC e cursa atualmente pós-graduação lato sensu em Audiovisual em Meios Eletrônicos na mesma universidade. Cursou por um ano o programa de pós-graduação lato sensu em História da Arte e Arquitetura no Brasil na PUC-RJ.

MIGUEL CHAIA
Cientista social, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Ciências Sociais  e do Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.Diretor-editor da Editora da PUC-SP. Coordenador e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP. É autor de vários textos sobre arte brasileira e do livro "Arte e Política", lançado em 2007 pela Azougue Editorial, Rio de Janeiro. Principais Pesquisas: Tomie Ohtake: levantamento e catalogação da obra e do material multimídia; Arte e Política: aproximações e distanciamentos; Conflitos e guerras em William Shakespeare. Principais publicações: Mídia e Política; A Dimensão Cósmica na Arte de Tomie Ohtake; Trabalho: entre a política e o conceito; Intelectuais e Sindicalistas: a experiência do Dieese.

FERNANDA ALBUQUERQUE 
Fernanda Albuquerque é curadora associada de artes visuais do Centro Cultural São Paulo. Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS, vem publicando artigos, críticas e entrevistas em revistas como Aplauso (Porto Alegre), Número (São Paulo), Contemporary (Londres) e Exit Express (Madri). Dentre suas realizações, destacam-se o desenvolvimento de publicações educativas para o Instituto Tomie Ohtake (2007-2008), a participação no grupo de crítica de arte do Paço das Artes (2007-2008), a atuação na equipe da revista Aplauso como responsável pela editoria de artes visuais (2002-2005) e na Fundação Iberê Camargo, como editora do site da instituição (2002). Sua dissertação de mestrado foi centrada na atuação dos coletivos de artistas brasileiros da atualidade.

FLÁVIA VIVACQUA
Artista, Educadora e Designer Cultural e para Sustentabilidade. Desde 1998 vem realizando exposições de suas performances, intervenções, instalações e fotografias em diversas cidades Brasileiras e no exterior (http://flaviavivacqua.wordpress.com). Articuladora da rede CORO – Coletivos em Rede e Organizações, ativa desde 2003 (www.corocoletivo.org). Como Designer Cultural, desde 2000 realiza festivais, intercambios e curadorias (Prêmio Cultura e Pensamento 2006 para Seminário Ritmos da Urgência - Reverberações 2006 (www.reverberacoes.com.br) ). Integra o Conselho do programa ‘Interações Florestais’ (Prêmio Conexões Artes Visuais 2007 e Interações Estéticas 2008) criando e coordenando a Residência Artística na ecovila Terra UNA (www.terrauna.org.br). Designer para a Sustentabilidade e desenvolvimento de assentamentos humanos sustentáveis pelo programa Gaia Education da Global Ecovillage Network, chancelado pela ONU. Diretora Fundadora da Nexo Cultural, agencia para facilitação, consultoria, criação e gestão de projetos e ações culturais, educativas e ecológicas (www.nexocultural.com.br).

FERNANDO PERES
Artista plástico e vídeografista auto-didata. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em Pernambuco. Participou nos anos 90 do Grupo Porra Louca Performático, etc Molusco Lama e da produtora de video e cinema Telephone Colorido. Fez 3 exposições individuais, em 1995 - "mamãe e papai avisam que eu cheguei" no espaço badida; em 2001 - "não pense muito" no IAC Benfica; e em 2006 - "Esperando a Manifestação do Suco de Cajú" - no MAC Olinda pelo Salão Pernambucano. Expoz ainda na coletiva com Rodolfo Mesquita no Museu Murillo la Greca, em 2008, e participei no projeto "Abre Alas", da Galeria A  Gentil Carioca. em 2009.

EDITORAS:

Ana Luisa Lima (PE) é crítica de arte. Graduanda do curso de licenciatura em educação artística/artes plásticas pela UFPE; é membro do grupo de pesquisa Laboratório de Inteligência Artística – i! , coordenado pelo Prof. Dr. Gentil Porto (UFPE). Foi curadora do I Salão Universitário de Arte Contemporânea - UNICO (SESC-PE). É crítica convidada do espaço expositivo Sala Recife. Publicou artigo no livro Artes Visuais: Conversando Sobre (Org. Madalena Zaccara e Sebastião Pedrosa), Recife, Editora Universitária. É co-autora do livro IAC Tempo e Memória, Recife,Editora Universitária, apoio Funarte (em prelo). É uma das editoras da Revista Tatuí. Faz parte do Ateliê coletivo Combogó.

Clarissa Diniz (PE) é crítica de arte. Graduada em educação artística/artes plásticas pela UFPE, é curadora assistente do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009 do Instituto Itaú Cultural, crítica convidada do programa de exposições 2008 do Centro Cultural São Paulo e coordenadora local, no Recife, do projeto Made in Mirrors. Publicou o livro Crachá – aspectos da legitimação artística (Recife, Massangana), desenvolvido a partir de bolsa-prêmio do 46º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Edita Tatuí, revista de Crítica de Arte e faz parte do coletivo Branco do Olho.

Lançamento Revista Tatuí de Crítica de Arte n.6 | Exposição Condomínio Branco do Olho
Data: Sexta-feira, 5 de junho
Visitação | Exposição: 06, 12 e 13 de junho, das 18h às 22h
Horário: às 20h
Local: Ateliê Branco do Olho (Rua do Lima, 138. Santo Amaro)