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Apresentação da disciplina: Deslocando o cânone: curadoria como história na arte da América Latina

Capas de catálogo Deslocando o cânone: curadoria como história na arte da América Latina

Apresentação da disciplina de pós-graduação:

Deslocando o cânone: curadoria como história na arte da América Latina (CAP 5028)

Escola de Artes e Comunicações da Universidade de São Paulo

Prof. Martin Grossmann e Profa. Julia Buenaventura

BibliografiaProgramação Curadorias chave Arte América Latina Fotos da disciplina

 

Durante as últimas décadas, as histórias panorâmicas da arte da América Latina foram narradas por estrangeiros e publicadas, principalmente, em língua inglesa. Perante este cenário, os latino-americanos têm respondido com curadorias encarregadas de deslocar um cânone estético e uma linearidade histórica que encontram seu epicentro, primeiro na Europa, e depois –a partir da segunda metade do século XX– nos Estados Unidos.

Este curso analisará a desconstrução deste cânone, através dos roteiros específicos de sete curadorias que centraram seu foco na reformulação dos padrões de medida da história da arte, propondo novas constelações de sentido e, consequentemente, deslocamentos de uma hegemonia estética intrinsecamente colonialista. De igual forma, passaremos revista a algumas coleções definitivas para a formação de uma história da arte no continente: Cisneros e Daros e, numa escala menor, a Coleção Nemirovsky, hoje na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

As exposições a serem discutidas durante o curso são: VI Bienal de São Paulo, organizada por Mário Pedrosa (São Paulo, 1961); III Bienal de Havana (1989) e Ante América, curada por Gerardo Mosquera, Carolina Ponce de León e Rachel Weiss, na Biblioteca Luís Ángel Arango (Bogotá, 1992); Cartographies, curada por Ivo Mesquita em Winnipeg Art Gallery (Winnipeg, 1993); "Bienal da Antropofagia", curada por Paulo Herkenhoff e tendo como curador adjunto a Adriano Pedrosa (São Paulo, 1998); 6a e 8 Mercosul, curadas por Gabriel Perez-Barreiro e Luis Camnitzer, e José Roca; Heterotopias e Inverted Utopias curadas por Mari Carmen Ramírez e Hector Olea, na sua ordem no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid, 2000) e em The Museum of Fine Arts (Houston, 2014); e, finalmente, Verboamérica curada por Andrea Giunta e Agustín Perez Rubio no Malba (Buenos Aires, 2016).

JUSTIFICATIVA:

O estudo da construção de uma história da arte realizada desde América Latina deve considerar, em primeira instancia, propostas curatoriais, pois é nelas que encontramos os principais esforços para reformular o cânone,  isto é, a ordem e a periodização intrinsecamente hierárquicas que regem qualquer discurso histórico-estético. Esta retrospectiva de roteiros curatoriais tem como objetivo conhecer, revelar e expor, para artistas, historiadores, críticos de arte e intelectuais em geral, os parâmetros que regem a história da arte e as múltiplas possibilidades de quebrar suas fronteiras. Em resumo, trata-se de um curso que, através das organizações próprias de uma (outra) história da arte, ajude a construir um ponto de vista, um critério histórico, político e estético.