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Boas Vindas aos Novos Artistas Residentes do Sacatar

Por Sacatar, em 31/03/2021.

Fonte: https://sacatar.org/wp-content/uploads/2021/03/ReleaseFellows_Abril2021.pdf

 

Temos o prazer de anunciar o próximo grupo de artistas residentes que estará no Sacatar de 5 de abril a 31 de maio de 2021:

  • ALEJANDRA MUÑOZ Salvador / Bahia  Artes Visuais / Curadoria / Pesquisa
  • CHICCO ASSIS Salvador / Bahia  Literatura / Multimídia
  • EDBRASS BRASIL Salvador / Bahia  Música / Performance / Pesquisa
  • FILIPE BEZERRA Vitória da Conquista / Bahia  Artes Visuais / Multimídia
  • TINA MELO Salvador / Bahia  Artes Visuais / Performance

Todos os artistas do Sacatar são selecionados por um processo aberto e altamente competitivo. A seleção é realizada por um painel de especialistas e ex-residentes do Sacatar e as inscrições para as residências artísticas geralmente estão abertas a pessoas criativas do mundo todo. Colocamo-nos à disposição, por e-mail ou telefone, para prestar eventuais esclarecimentos que se façam necessários. Ao mesmo tempo solicitamos apoio para a divulgação deste comunicado.

Sobre o Sacatar

A Fundação Sacatar foi criada em 2000 como uma organização sem fins lucrativos que tem a finalidade de fornecer a artistas do mundo todo, tempo e espaço físico necessários para criar novos trabalhos dentro de uma comunidade internacional de artistas influenciados pela cultura única da Bahia. Desde 2001, a Fundação já concedeu mais de 380 residências para pessoas de 63 países e tem apoiado diretamente mais de 500 programas comunitários e eventos educacionais e culturais no Brasil e no exterior. Em 2021, esperamos hospedar 10 artistas em duas sessões de 8 semanas no Instituto Sacatar, na ilha de Itaparica, a cerca de 50 minutos de Salvador, Bahia, Brasil (por ferry-boat ou lancha).

Para informações adicionais, bem como imagens e logomarca desta instituição, por favor acesse a página https://sacatar.org/pt/imprensa/

Sempre respeitando todos os protocolos de segurança e higiene da pandemia, o Instituto Sacatar convida você a visitar nossa sede na ilha de Itaparica e conhecer os artistas que foram selecionados para participar do programa de residência. Por favor, agende sua visita pelo email info@sacatar.org ou pelo telefone 55 71 3631-1834.

Nem todos os residentes do Sacatar podem remunerar os colaboradores, mas todos agradecem à oportunidade de se envolver e de aprender com profissionais locais. Por exemplo, através de um dos encontros com a comunidade no início da sessão, uma das residentes do Sacatar, uma artista do hip-hop internacionalmente conhecida, contratou dançarinos locais e também um cinegrafista local para a realização deste curta-metragem: https://vimeo.com/75072125.

 

Conheça os artistas

Abaixo, cada artista residente descreve o seu projeto, objetivos e planos para a residência.


ALEJANDRA HERNÁNDEZ MUÑOZ

Salvador / Bahia

Artes Visuais/ Curadoria/ Pesquisa

Processo Seletivo Sacatar

http://lattes.cnpq.br/0998313478730536

@alejandrahmunoz

 

PROJETO:

O Mundo e a Ilha na Arte Contemporânea: Um Mapeamento Crítico das Residências Sacatar de 2001 a 2020

Em outubro de 2012 estive no Instituto Sacatar participando do comitê de seleção de uma turma de residentes. Na ocasião, conversei com Taylor Van Horne sobre meu interesse em pesquisar o perfil da produção dos artistas residentes a partir da consulta do arquivo e da biblioteca do Instituto em Itaparica. O tempo foi passando, acompanhei apresentações de portfolios e atividades de alguns residentes que foram passando pela ilha, enquanto meus compromissos profissionais e acadêmicos me obrigaram a adiar a ideia daquela conversa de 2012.

Em 2020, por solicitação do Governo do Estado, elaborei um extenso verbete sobre Artes Visuais Contemporâneas na Bahia focalizando as características da produção e do meio artístico baiano nas duas últimas décadas. Destaquei a importância das residências em seus aspectos formativos na trajetória dos artistas, bem como as possíveis influências da arte e cultura baianas no exterior através de, pelo menos, três instâncias que promovem residências regulares no Estado: em Itaparica, o Instituto Sacatar e, em Salvador, a Secretaria Estadual de Cultura e o Programa Vila Sul do Goethe-Institut. Sobre este último publiquei o artigo “Manifesta e Vila Sul - diásporas, deslocamentos e migrações através de eventos e programas de arte contemporânea” na Revista Modos, ressaltando a relevância das práticas colaborativas e os desdobramentos dos intercâmbios internacionais na atualidade.

Nesse sentido, a presente proposta visa realizar (dentro dos protocolos sanitários da pandemia) um estudo sobre processos e perfil de 57% dos residentes que passaram pelo Instituto Sacatar desde o início do Programa até a interrupção motivada pela Covid-19. Segundo informações disponibilizadas no site institucional e às vésperas de completar duas décadas de trajetória, o Programa de Residências em Itaparica albergou 403 projetos de 372 residentes oriundos de 63 países, dos quais 30 (8%) residiram duas vezes e uma artista residiu em três momentos. Desse universo, me interessa analisar os projetos desenvolvidos pelos 232 artistas elencados nas categorias Arte sonora (2), Artes Visuais (153), Curadoria (6), Desenho Animado (3), Fotografia (39), Imagem em movimento (2), Performance (12) e Vídeo (15).

 

PORTFÓLIO:

HERNÁNDEZ MUÑOZ, Alejandra. "1978 -Cidade Submersa" (2010) de Caetano Dias. In: Associação Cultural Videobrasil Acervo comentado. Audiovisual, 8’26”, 2020. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br/canalvb/video/2236505/Alejandra_Munoz_sobre_1978_Cidade_Submersa_2010_de_Caetano_Dias Também em: Arte!Brasileiros, 22/12/2020, disponível em: https://artebrasileiros.com.br/topo/1978-cidade-submersa-videobrasil/

HERNÁNDEZ MUÑOZ, Alejandra. Arte Brasileira na Bienal de Veneza. In: Palestra em EBA010 História da Arte Brasileira/UFBA, Coord. Profs. Luiz Freire e Ines Linke. Transmissão online via Google Meets. 11/11/2020. Disponível em: https://youtu.be/p3YXA7hrXBY

HERNÁNDEZ MUÑOZ, Alejandra. Artes Visuais Contemporâneas na Bahia. In: Portal Bahia Contemporânea/Governo do Estado da Bahia Coord. Emir Sader. jul.2020. Disponível em: https://portaldabahiacontemporanea.com.br/artigos/artes-visuais

HERNÁNDEZ MUÑOZ, Alejandra. Manifesta e Vila Sul - diásporas, deslocamentos e migrações através de eventos e programas de arte contemporânea. In: MODOS. Revista de História da Arte. Campinas, v.4, n.1, p.36-51, jan.2020. Disponível em: https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/mod/article/view/4534 DOI: https://doi.org/10.24978/mod.v4i1.4534

MUÑOZ, Alejandra e MAMEDE, José Carlos Anais do Colóquio de Fotografia da Bahia. EBA/UFBA Salvador/BA, 2017, 2018 e 2019. ISSN 2674-564X. Versão digital disponível em http://www.coloquiodefotografia.ufba.br

MUÑOZ, Alejandra e MAMEDE, José Além do tapume, da carta, do prêmio. Texto curatorial da exposição “100 - Carta das Laranjeiras”, realizada no tapume da Rua Chile defronte do Palácio Rio Branco desde 19ago.2016. Salvador/BA. in: Catálogo Virtual “Carta das Laranjeiras (Tapume Azul)”, 10dez.2016. Disponível em: https://issuu.com/coqueiro/docs/cat__logo_100000_carta_das_laranjei

 

CHICCO ASSIS

Salvador / Bahia

Literatura/ Multimídia

Processo Seletivo Sacatar

http://lattes.cnpq.br/0782198808043873

@chicco.assis


PROJETO:

Em cantos, contos e outros tantos “Pra te lembrar do Badauê...”

“Misteriosamente, o Badauê surgiu...” Criado em 13 de maio de 1978, pelos Jovens Loucos, grupo de jovens artistas do Engenho Velho de Brotas, o Badauê foi um dos mais expoentes afoxés do final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Desde o seu primeiro carnaval, em 1979, além de arrastar uma multidão de foliões, naquele e em outros carnavais subsequentes, ganhou o título de melhor afoxé, tendo inclusive desbancado o favorito Filhos de Gandhy, que em 1979 completava 35 anos de existência. Tendo um período áureo até metade da década de 1980, quando começo a entra em declínio até deixar de desfilar com menos de 15 anos de existência, mas permanecendo nas lembranças da cidade e em muitas canções.

Pra te lembrar de Badauê...”, versos da canção Muito Obrigado Axé de Carlinhos Brown que, a partir de 2013, passou a dar nome ao movimento capitaneado pelos mestres Moa do Katendê e Jorjão Bafafé e pelo gestor cultural Chicco Assis para celebrar 35 anos dosurgimento do Badauê. Aconteceu um show lendário no Cine Teatro Solar Boa Vista, com a participação de mais de 40 artistas, como: Chico Evangelista, Guiguio do Ilê, Juliana Ribeiro, Lia Chaves, Márcia Short, Tote Gira, Russo Passapusso, Zumber e Vozes do Engenho, além de outras apresentações naquele espaço e em outros do bairro e da cidade, oficinas e uma participação especial no Comboio Afródromo, no carnaval de 2014. Para registrar a memória deste tão importante afoxé, “Pra te lembrar do Badauê...” também deu nome à dissertação de mestrado defendida por Chicco Assis em 2017 nos Pós-Cultura / UFBA. Os planos de celebração dos 40 anos da criação do Badauê (2018/2019) foram interrompidos pela partida prematura e violenta de Mestre Moa do Katendê, deixando uma grande lacuna.

A proposta aqui é aproveitar o período da residência, bem como o isolamento social que o atual momento sanitário requer para fazer uma imersão pelas ondas do ijexá do Afoxé Badauê, com o propósito de transformar o conteúdo da dissertação, bem como de outros materiais coletados, como entrevistas, vídeos, fotografias, em uma publicação que irá mesclar Cantos, Contos e outros gêneros literários para que a memória do Badauê seja devolvida ao Engenho Velho de Brotas, bem como possa ser disseminada. A ideia é poder realizar uma publicação que fuja dos moldes acadêmicos, mais que possibilite um maior acesso a esta memória tão importante para o carnaval e a música baiana.

Dessa forma, a residência será marcada por momentos de muita imersão nesse material, mas, ao mesmo tempo, relembrando o recolhimento que acontece nas religiões de matriz africana para “feitura do santo”. Mas também acontecerão interações o mundo lá fora, a partir de aparatos tecnológicos tão difundidos nesse momento de pandemia (lives, reuniões virtuais, etc), promovendo encontros virtuais com nomes como Jorjão Bafafé, Jacira Bafafé e Sandra (Musas Badauê), Negrizu (Negro Lindo do Badauê), Jasse Mahi e Somonair Katendê (filhas de Moa do Katendê), Marilda Santana, Nelson Maca e Vagner Amaro (mentores literários), tanto para colher mais informações, quanto para realização leituras de capítulos do livro ainda em processo.

PORTFÓLIO:

Canal Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCJbRBY25EiX2JdGTfhN-blg

Twitter: https://twitter.com/chiccoassis

 

EDBRASS BRASIL

Salvador / Bahia

Música/ Performance/ Pesquisa

Processo Seletivo Sacatar

edbrass.webnode.com@edbrass_brasil

PROJETO:

7 Flechas A Escuta como uma Tecnologia Interior

No projeto multiformato “7 Flechas”, trabalho a escuta e a produção sonora a partir dos elementos da natureza. A pesquisa revela um campo de atuação em ambientes naturais, a partir dos quais venho desenvolvendo uma série de vídeo-performances, comissionadas por Instituições e Festivais internacionais e brasileiras.

A obra explora as possibilidades de composição em tempo real, conectando aspectos da botânica e os seus usos cotidianos nas tradições afro-indígenas brasileiras. A experiência sensorial de tocar com os materiais vindos do reino vegetal abre o terreno para uma expressão múltipla e ligada a um campo vibracional mais sutil, por meio da relação entre os sons, o olfato e a espacialidade.

Com a possibilidade de fazer parte do programa de Residência artística Sacatar, surge uma ocasião perfeita para dar continuidade á pesquisa, por meio de gravações de campo, envolvendo o uso de hidrofones (microfones que gravam debaixo da água), assim como a exploração dos sons do ambiente natural que circunda a casa. Seja qual for o formato escolhido, instalação, vídeo-performance ou concerto solo, a proposta busca compartilhar uma idéia de escuta de si mesmo e do entorno, como uma forma de estabelecer para si um estado de “presença”, que nos ajude a transpor os desafios da atuallidade.

Essa nova fase do projeto visa o desenvolvimento e montagem da instalação sonora que será exibida em Berlin, em agosto de 2022.

PORTFÓLIO:

https://edbrass.webnode.com/

 

FILIPE BEZERRA

Vitória da Conquista / Bahia

Artes Visuais / Multimídia

Processo Seletivo Sacatar

behance.net/fbezerra

@filipebezerra1

PROJETO:

Stories Sonhos Coletivos

STORIES SONHOS COLETIVOS é uma proposta artística que combina pesquisa e performance virtual através de vídeos, áudio e artes visuais. Seu ponto de partida é o sonho e seu lugar de representação é o aparelho celular.

Parte I: SONHOS

É comum pensarmos nos sonhos como sendo um conjunto de imagens fragmentadas das quais lembramos ao acordar. Para a ciência, o sonho é uma experiência de imaginação do inconsciente. O Xamanismo acreditava que os sonhos eram um meio de acesso a realidades escondidas dos nossos cinco sentidos e que existem realidades paralelas e sobrepostas ao mundo físico. Para eles, os sonhos eram uma conexão com essas realidades mais elevadas, uma janela para a alma.

Parte II: STORIES

Estudos apontam que mais da metade da população mundial, cerca de quatro bilhões de pessoas, possuem um telefone celular. Estima-se que um indivíduo olhe seu aparelho, em média, 220 vezes ao dia. Além de e-mails e notícias, na maior parte do tempo elas estão nas redes sociais. E uma das mais populares é o Instagram, com mais de 1 bilhão de usuários.

Um dos recursos maisfamosos dessa rede social é o Stories, que permite aos usuários publicarem fotos e vídeos que só podem ser visualizados por um período curto de 24 horas. Depois de publicados, eles são exibidos em formato de um slideshow - como se fosse um filme para mostrar aos seus seguidores o que você fez durante o dia. Um ciclo permanente, em que somos banhados e também contribuímos com mais informações, onde cada um de nós é um influenciador.

Parte III: A OBRA

O objetivo do projeto é explorar a função criativa da imaginação e dos sonhos através dessa plataforma virtual.

Somos milhões de pessoas visualizando, várias vezes ao dia, imagens diversas. É de se presumir, portanto, que muitos de nós estejamos vendo as mesmas imagens. Considerando a existência de um "inconsciente coletivo" e de uma espécie teia virtual composta por imagens e símbolos, podemos questionar: Será possível que pessoas diferentes tenham sonhos iguais? Ou ainda: É possível sonharmos um mesmo futuro para o mundo?

Através de um perfil no Instagram, o objetivo é promover uma interação virtual, com a intenção de recolher relatos e materiais visuais para reconstruir sonhos possíveis. Sonhos são experiências reais e esta análise é importante para resgatarmos o simbólico coletivo, compreendermos as mensagens oníricas dos sonhos e, consequentemente, compreender de forma mais profunda, a nós mesmos.

Agora, no momento em que a humanidade enfrenta uma complicada pandemia, podemos apostar no poder da imaginação e dos sonhos para criar um novo mundo.

PORTFÓLIO:

https://www.behance.net/fbezerra

 

TINA MELO

Salvador / Bahia

Artes Visuais/ Performance

Processo Seletivo Sacatar

Portfolio Tina Melo

@diasporika

PROJETO:

Narrativas Líquidas: Costurar Memórias para Construir Futuros

O projeto constitui-se numa síntese da pesquisa estética desenvolvida por Tina Melo, que já dura mais de 15 anos, e que ganhou contornos acadêmicos em 2017 no Doutorado em Artes Visuais na UFBA, que aborda questões e histórias de mulheres negras como motivadoras para a criação de performances, vídeos, fotoperformances e instalações. O projeto “Narrativas Líquidas: Costurar memórias para construir futuros”, parte das inquietações da artista a partir da busca por conhecer as raízes moventes da ancestralidade afroatlântica perdidas nas lacunas das histórias não contadas, dos vazios da memória e das possibilidades derecriação de nossos corpos e futuros, em narrativas visuais que não partam apenas da dor, mas que compreendam as dinâmicas de re-existência e fabulação das mulheres negras na afro diáspora.

Essas inquietações revelam a poética desenvolvida ao longo da trajetória da artista, que buscou através daarte questionar e trazer visibilidade para as questões políticas, culturais, sociais e subjetivas das mulheres na diáspora africana, e nos últimos anos tem se pautado na necessidade de reconstruir imagens, imaginários enarrativas acerca das nossas histórias, a possibilidade da fabulação poética como mecanismo de reinvenção, de resistência e de agência dos nossos corpos e subjetividades para além das dificuldades e dores históricas e contemporâneas.

A produção dos trabalhos pauta-se nos laboratórios de construção de “Imagens narrativa” desenvolvidospela artista ao longo dos últimos 4 anos, com o objetivo de criar obras audiovisuais que possam atingiroutros públicos no momento de contatos sociais restritivos em que estamos vivendo. O formato virtual deexibição permite ainda que tanto a comuniddae local, qaunto pessoas de outros estados e países possam terigual acesso às obras de maneira segura e confortável, o que contribui para o alargamento de horizontes paraa produção negra baiana.

A aproximação com o a imagem e movimento já vinha se desenvolvendo na caminhada da artista, com a criação de videoinstalações e videoperformances, e o interesse por aprofundar as experimentações possíveis na linguagem do audiovisual se fazem prementes desde a participação na Perforcraze International Artistic Residence em Kumasi, Gana, em 2019, onde a artista desenvolveu experimentos ainda não exibidos, os quais pretende retomar e reelaborar nos processos criativos do momento atual. O cruzamento entre essa produção além mar e os novos experimentos da artista constituiriam uma obra recente, síntese de investigações, tensionamentos e descobertas recentes do processo de investigação artística/ancestre tecidos pela artista em sua jornada criativa, espiritual e pessoal, de uma mulher negra oriunda do Recôncavo baiano, candomblecista iniciada no culto de nação Ketu, artista visual e da performance, pesquisadora, acadêmica, figurinista, maquiadora, que busca no caminhar da arte e vida compreender os caminhos que nos levam de volta aos nossos ancestrais como forma de apontar caminhos para que possamos compreender melhor o presente e construir futuros mais dignos e inventivos para nosso povo.

O interesse na produção de imagens que possam contar outras histórias e construir outros lugares de narrativa negras, mobilizam a criação e a experiência de vida, de uma artistaque acredita na arte como potência de transformação de subjetividades e por conseguinte, da sociedade. No caminho do olhar para o nosso interior, no aprofundamento dos rios de dentro, somos capazes de voltar à superfície e encontrar a coletividade nos pontos sensíveis que nos une mais que separa.

O projeto então, configura-se numa construção de narrativa feminista negra afirmativa, implicada nas questões de identidades e territórios como busca pela compreensão da ancestralidade dispersa na afrodiáspora, lançando olhar sobre a produção de uma artista que se mantém resiliente em continuar produzindo, dentro de um contexto de invisibilização estrutural e negação das contribuições negras na edificação da sociedade, e logo, na arte. O projeto pauta-se ainda na experimentação artística historicamente negada a nós para pensar novas possibilidades de representatividade em obras de (re)existência “afrografada” do corpo feminino diaspórico, que reformula sua condição a partir de poéticas de pertença e afirmação para ocupar e resignificar os lugares negados histórica e socialmente.

Desse modo, estou interessada em pensar outras possibilidades de construção de narrativas sobre a minha experiência de mulher negra da diáspora, a partir de experimentações de linguagem, e creio que a Residência Sacatar seja o lugar propício para acolher o desenvolvimento da proposta, favorecendo um ambiente de imersão aprofundada na pesquisa e produção, mediada por um contexto territorial repleto de energia ancestre, do contato com o Atlântico lugar de identidade para nós -, além de gerar a possibilidade de intercâmbios ricos e interessantes, além de contar com uma estrutura que nos estimula e provoca a buscarmos o melhor e mais inquietante que nossa arte pode produzir.

PORTFÓLIO:

https://drive.google.com/file/d/1vYQx_8UZ6ttzROJOEtsPA3DeasmpekgV/view?usp=sharing

https://www.instagram.com/diasporika/

https://issuu.com/gravidade_art/docs/gravidade_rastros

 

2021 Sacatar Residency Fellows Announced

Itaparica, Bahia & Pasadena, California (March, 2021)

We are pleased to introduce you to the five artists selected in the Instituto Sacatar Open Call for Artists Living in Bahia who will participate in the eight-week residency session at Sacatar's headquarters, on Itaparica Island, Bahia, Brazil, from April 5 to May 31, 2021:

ALEJANDRA HERNÁNDEZ MUÑOZ Salvador / Bahia Visual Arts, Curatorial Arts & Research

Project: The World and Itaparica Island in the Contemporary Art: A Study of Sacatar Artistic Residences from 2001 to 2020

• CHICCO ASSIS Salvador / Bahia Literature & Multimedia Project: In Songs, Tales and Many Others Things - "To Remind You of Badauê ..."

EDBRASS BRASIL Salvador / Bahia Music, Performance & Research Project: 7 Arrows - Listening as an Inner Technology

FILIPE BEZERRA Vitória da Conquista / Bahia Visual Arts & Multimedia Project: Stories Collective Dreams

TINA MELO Salvador / Bahia Visual Arts & Performance Project: Fluid Narratives: Sewing Memories to Build Futures

Sacatar Fellows are selected annually through a highly competitive Open Call process. Applications are accepted from individuals working in all creative disciplines, of all ages and from all countries. Applications are reviewed by a panel of experts, which includes past Sacatar Fellows

 

About Sacatar

Sacatar was established in 2000 as a non-profit organization to provide creative individuals from around the world the time and physical space to create new work, potentially influenced by the unique culture of Bahia and within an international community of artists. Since 2001, Sacatar has awarded more than 380 Residency Fellowships to individuals from sixty-three countries and has directly supported more than 500 community educational and cultural programs and events in Brazil and abroad. In 2021, we hope to host 10 artists in two 8-week sessions at its oceanside estate, the Instituto Sacatar, on the island of Itaparica, a 50 minutes ferry ride across the Bay of All Saints from the city of Salvador, Bahia, Brazil.

Always respecting all pandemic safety and hygiene protocols,the Instituto Sacatar invites you to visit our facilities on the island of Itaparica and meet the participating artists selected to ourresidency program.Please book your visit by email info@sacatar.org or by phone 55 71 3631-1834.

Not all residents of Sacatar are in the financial position to pay collaborators, but they all welcome the opportunity to get involved and learn from local professionals. For example,t hrough an informal community presentation early in her residency, an internationally known hip-hop artist met and subsequently hired dancers and a local cameraman to make a short film: https://vimeo.com/75072125

 

Fonte: https://sacatar.org/wp-content/uploads/2021/03/ReleaseFellows_Abril2021.pdf