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Encontros do programa Estudos de arte desde América Latina: temas e problemas.

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Rita Eder (2009)

Tradução do espanhol: Maria Laura Iturralde Payo

Fonte: Material publicado on-line pelo Instituto de Investigações Estéticas da Universidade Autónoma do México. Disponível em: <http://www.esteticas.unam.mx/edartedal/PDF/inicio.html> (Última consulta diciembre de 2020).

 

Início

 

Entre 1996 e 2003, um grupo de historiadores e críticos de arte, bem como alguns artistas, curadores, filósofos e literatos, reuniu-se em sete ocasiões no México (Oaxaca,1996; Querétaro, 1997), Itália (Bellagio, 1996), Argentina (Buenos Aires, 1999), México (Veracruz, 2000 e 2001) e Brasil (São Salvador da Bahia, 2003) para apresentar trabalhos e discutir novas perspectivas metodológicas e críticas no marco do projeto coordenado por Rita Eder – Estudos de arte desde América Latina: questões e problemas, patrocinado pela Fundação Rockefeller para as Humanidades (1996), a UNAM (1997) e o Getty Grant Program (1999-2003).[1] A maioria desses trabalhos foi publicada como artigos ou como parte de vários livros. Na transição, entre apresentação e trabalho escrito, os textos se beneficiaram do intenso debate conduzido pelos membros do seminário constituído por especialistas e jovens pesquisadores. Derivado destas reuniões estabeleceram-se novas redes de colaboração e intercâmbio.

O site, na rede http://www.esteticas.unam.mx/edartedal, disponibiliza ao público interessado, em seu formato original ou com as modificações feitas para sua publicação, os trabalhos apresentados nos diferentes seminários. Também pretende convidar os participantes a promover uma discussão crítica sobre as questões e problemas abordados através do blog, um espaço informal para a memória desses seminários. Lá, os debates e reflexões centrais, podem ser rearticulados como resultantes da troca entre uma diversidade de mentalidades e formas de abordar a história e a teoria da arte da América Latina.

 

 

Antecedentes do projeto: XVII Colóquio Internacional de História da Arte, Zacatecas 1993

 

Estudos de arte desde a América Latina: questões e problemas tem um antecedente no XVII Colóquio Internacional de História da Arte, organizado pelo Instituto de Pesquisa Estética da UNAM na cidade de Zacatecas, México (1993), que foi apoiado pela UNAM e o Getty Grant Program.

O tema do colóquio Arte, História e Identidade na América: visões comparativas teve como objetivo fundamental estabelecer diálogos e pontos de contato entre os diferentes afazeres da história, teoria e crítica de arte em todo o continente. Em Zacatecas, reuniram-se pesquisadores de diferentes gerações, instituições e países da América Latina, Canadá, Estados Unidos e alguns estudiosos do tema latino-americano da Europa e Austrália. Este encontro continental, ocorrido no início dos anos 1990, cobriu a análise da produção artística desde os estudos pré-colombianos à arte contemporânea a partir de vários problemas e áreas de estudo. Em tempos próximos ao V Centenário, algumas perguntas se referiram à necessária renovação das noções de encontro, choque ou confronto de culturas com ênfase especial nos estudos do século XVI. Outra linha de trabalho teve como referencial as escolas nacionais estigmatizadas pelo nacionalismo e seu projeto hegemônico. Seu estudo e análise a partir de imagens e novas pesquisas foi o lugar para questionar diferentes projetos nacionais, suas condições sociais, e o uso de gênero e raça utilizados como emblemas.

Modernidade na América Latina foi outro bloco de painéis. O hiato temporal entre a Europa e a América oferece à América Latina um lugar de reflexão sobre como construir outras modernidades. O Pós-modernismo como elaboração teórica e crítica deu uma reviravolta nas discussões sobre as relações entre centro e periferia, e examinou as limitações da noção de identidade na medida em que a desconstrução do conceito de nação levou ao surgimento de novas identidades. Além disso, a globalização, produto da reorganização da política e da economia, a migração crescente e o rápido avanço dos meios de comunicações levou a uma nova estética baseada na legitimação do hibridismo, a impureza e o misturado, também identificado com o neobarroco.

Para um dos eixos de reflexão do encontro, “A história da arte, seu escopo e métodos”, foi importante a análise da sua interação com outras disciplinas. Quais foram as limitações da história da arte diante de seus componentes antropológicos e suas características sociais? Como as histórias da arte na América foram construídas? Existem blocos e confluências por período, área ou tema? Quais são os conceitos que distinguem as obras de arte indígena ou aborígene em todo o continente? A partir de onde – em termos teóricos – foi analisada e interpretada a produção artística na América Latina?

Os trabalhos foram publicados em 1994 sob o mesmo título do colóquio, em uma edição de três volumes do Instituto de Investigações Estéticas

Das conversas com o grande contingente de historiadores da arte latino-americanos e especialistas de outros países nasceu, em Zacatecas, a ideia de avançar nesta primeira etapa e impulsionar um projeto. Gostaria, em primeira instância, de construir uma história diferente ou nova da arte latino-americana, fundada em estudos específicos e no trabalho de arquivos necessário para renovar a pesquisa. Essa estratégia e a prática acadêmica evitariam cair na ideia de uma história geral ou de clichês, marcariam necessariamente as diferenças de abordagem desde suas diversidades. O grupo fundador, além de apresentar trabalhos, ampliou, e por vezes reorganizou, as questões levantadas e propôs novos participantes.

 

 

A transição: Oaxaca, uma nova história da arte

 

Apoiado pela Fundação Rockefeller para as Humanidades e a UNAM, e com a ideia de dar continuidade à discussão latino-americanista que surgiu na conferência acima mencionada, foi estabelecido o grupo fundador composto por: Aracy Amaral (Brasil), Roberto Amigo (Argentina) Gustavo Buntinx (Peru), Rita Eder (México), Ticio Escobar (Paraguai), Andrea Giunta (Argentina), Serge Guilbaut (Canadá), Gerardo Mosquera (Cuba), Gabriel Peluffo (Uruguai), Ida Rodríguez Prampolini (México). O objetivo principal do primeiro seminário foi tentar conceituar outro modelo para montar uma história da arte moderna na América Latina. Esta reunião foi realizada em Oaxaca (1996), e teve lugar após longas horas de discussão para orientar o projeto futuro, um índice provisório sob o nome “Outras modernidades”.

 

1. Utopias e imaginários. Constituir a Nação: perspectivas regional e imperial / imaginário nacional / indigenismo / muralismo / projetos ligados ao Estado.

 

2. Projetos e utopias do progresso – positivismo / desenvolvimentismo / processos de industrialização / processos civilizatórios / cidades planejadas / utopias / vanguardas.

 

3. Rupturas / vanguardas

 

4. Modernidades populares – estratégias simbólicas de inserção na modernidade pelos setores populares: o “tropical andino” / gravuras da Guerra do Paraguai / los guarfangos [para-lamas] / fileteados portenhos / ex-votos / o culto a Sarita Colonia, Gregorio Hernández etc.

 

5. Desmodernidades – produção pós-vanguardista da arte erudita na América Latina / a produção dos 1980-90 e as novas estratégias de arte política – projetos reagentes das minorias – as estéticas igualitárias – identidades marginais e fragmentárias.

 

6. Fora da nação – migrações, exclusões, exilados – transterritorialidades – chicanos, nuyoricanos etc.

 

Como parte do índice provisório também foi feita uma lista de perspectivas críticas que deviam de se cruzar com o índice “Outras modernidades”. Os principais pontos foram: a crítica do método historiográfico; a insatisfação com a ideia de arte na América Latina e insistir nela a partir da América Latina; falou-se de obras e circuitos no contexto da luta pelo poder simbólico, as relações entre o popular e o erudito, assim como as múltiplas redefinições da modernidade e os processos de inclusão e diferença.

O debate sobre os temas incorporados e aqueles que foram excluídos obrigou-nos a rever a visão seletiva, vigente, nas histórias gerais da arte latino-americana; queria-se uma história da arte que enfatizasse a complexidade dentro de um mesmo objeto e enfatizou-se a necessidade de um olhar prismático em torno das obras. Foi mencionada a necessidade de incluir perspectivas comparativas e identificar imagens de condensação ou síntese de tal forma que se poderia trabalhar do particular para o geral. Por fim, solicitou-se que as obras que faziam parte deste corpus, quaisquer que fossem seus suportes, espacialidades ou temporalidades, tivessem uma vocação polêmica e que o índice tivesse sempre seu contraponto ou aspecto reativo.

 

 

Bellagio-Querétaro

 

Depois de oito meses, em outubro de 1996, foi realizada uma segunda reunião no Centro de Estudos da Fundação Rockefeller, em Bellagio, Itália. Após intensas discussões e leitura de alguns trabalhos que davam conta do índice acima apresentado, que com a distância só se consolida, decidiu-se, no entanto, lidar com questões específicas e delimitadas que correspondiam à área de trabalho de cada um dos participantes.

A terceira reunião aconteceu em Querétaro (1997), lá foram apresentados trabalhos em andamento, com novos convidados[2] ao seminário, os quais enriqueceram a lista inicial de participantes. As cinco unidades de discussão levantadas incluíram questões que abordavam desde os tempos coloniais até os assuntos contemporâneos, às vezes entrelaçados ambos nas apresentações e nas discussões: A cor na arte, A construção do religioso, Gênero e modernidade, As propostas nacionais: criollismo, esoterismo, indigenismo, costumbrismo e federalismo, assim como os movimentos artísticos na América Latina após a Segunda Guerra Mundial. Neste seminário, ganharam força as novas abordagens do século XIX na América Latina. A este respeito, um exemplo dos tópicos foi uma discussão de pintura costumbrista que, desde o México até a Argentina, serviu para desempenhar um imaginário nacional ao abrigo de esquemas semelhantes de representação importantes para a história do criollismo no momento da criação de uma ideologia nacional.

 

 

Outras questões e problemas: o seminário se amplia.

 

Querétaro foi suficientemente estimulante do ponto de vista da discussão e das apresentações, para continuar o seminário e descobrir abordagens metodológicas e objetos de estudo, assim como pontos de partida para a produção artística de uma nova e produtiva ótica. Isso deu origem a um projeto coletivo gerando uma diversidade de textos que alcançaram coerência na medida em que as questões sobre as versões oficiais e o olhar sobre a diferença, permitem reconstruir o estabelecido.

Há de se dizer que Thomas Cummins e Serge Guilbaut, incentivados pelo intenso e produtivo clima da discussão, sugeriram a presença de Joan Weinstein, do Getty Grant Program, que depois de participar de várias sessões nos encorajou a apresentar um projeto para continuar os seminários. A proposta apresentada à Fundação Getty foi intitulada Estudos de arte a partir da América Latina: questões e problemas, o que procurava dar continuidade à pesquisa e à revisão de problemas teóricos e metodológicos ligados à história da arte latino-americana. O projeto enfatizou a necessidade de criar um mecanismo para sustentar o diálogo entre as diferentes regiões da América Latina e, logicamente, um dos problemas que surgiram como resultado da proposta de diálogo entre os latino-americanos foi a necessidade de romper com a ideia de uma unidade latino-americana. Ao destacar as especificidades reconheceu-se também que havia campos de estudo comuns, como a modernidade, o colonialismo, e as categorias como nacionalismo, etnia, classe e gênero que ofereciam um espaço fértil para a análise comum. Um dos objetivos da proposta, era criar condições para a discussão de questões teóricas e metodológicas com a finalidades de estimular o conhecimento e a reflexão sobre as novas ferramentas teóricas comprometidas com a análise da imagem e a interdisciplinaridade visível na convergência entre a história de arte e antropologia.

As quatro reuniões foram projetadas para abordar tópicos como teoria e crítica de arte na América Latina (Buenos Aires, outubro de 1999); Teorias da imagem (Veracruz, outubro de 2000); As cidades e a cultura urbana (Cidade do México – Veracruz, fevereiro de 2002), Arte e religião (Salvador, Bahia, julho de 2003).

 

 

Buenos Aires

 

A crítica de arte na América Latina reuniu um grande número de pessoas que haviam estado presentes no encontro de Querétaro, e a elas somaram-se novos convidados.[3] O Seminário foi realizado no Centro Cultural Recoleta e na Fundação Antorchas, no meio do bairro de La Boca. Foram responsáveis pela organização local do seminário Laura Malosetti e Andrea Giunta.

A crítica da arte no século XIX na América Latina mostrou afinidades na medida em que seu tom e gênero discursivo estavam ligados à fundação de novas nações e à queda da organização artística no período do vice-reinado. Houve interessantes trabalhos que argumentaram a crítica como fator de configuração da esfera pública.

Uma parte substancial foi dedicada ao século XX. Figuras como Marta Traba, Mário Pedrosa, Juan Garcia Ponce, Octavio Paz, Jorge Romero Brest, Margarita Nelken, Juan Acha e Paul Westheim foram discutidos nesta reunião com especial ênfase na análise das teses do Modernismo, seu vínculo com as diferentes interpretações vindas do campo da estética e sua transfiguração. Foram abordados diversos pontos como: a modernidade e os instrumentos de comunicação entre a crítica e o público, o surgimento tão diverso da ideia de arte moderna nas diferentes regiões da América Latina, a mudança tecnológica e os processos de modernização. O período pós-Segunda Guerra Mundial, mostrou o início de um desejo de cosmopolitismo entre os críticos que tentaram, ao fazer seus textos, incorporar as ideias e as obras das vanguardas internacionais junto com o “próprio”, prática que, segundo a região específica, acusou diferenças.

 

 

Veracruz 1

Em 2000, o seminário aconteceu no Porto de Veracruz. Desta vez foi realizado à beira-mar, em amplo contraste com a localização totalmente urbana de Buenos Aires e, por acordo prévio, foi decidido mudar o tema de “Arte e ciências sociais” por uma nova discussão sobre a análise de imagens. De alguma forma, essa decisão teve a ver com um olhar crítico em torno da crescente ênfase da natureza interdisciplinar da história da arte, que se aproximava as imagens de fora e nosso propósito teve como eixo das sessões partir da análise da imagem de dentro, optando por ferramentas interdisciplinares ligadas ao processo de análise das imagens. Cada intervenção foi dedicada à discussão e especificação de como foi sua abordagem das imagens. Naquela ocasião, compareceu a maioria dos membros do grupo fundador e outros convidados.[4] As ciências sociais, sem dúvida, tiveram um impacto na reestruturação da disciplina e fizeram as pessoas pensarem sobre como elas trabalhavam no campo da história da arte. Houve um espírito de rebeldia questionando se essa visão do artístico ajudava a entender e analisar as imagens em profundidade. No fundo, tentava-se detalhar as especificidades e ferramentas da história da arte e discutir suas diferenças com as ciências sociais. A leitura de A inteligência da arte, de Thomas Crow, outro texto relevante para este encontro, ainda controversa, evidenciou que este livro foi escrito para mostrar que, embora a transdisciplinariedade ocorra nos estudos de arte, há descobertas sobre a mesma história social da arte que partem da análise de imagens. Isso foi demonstrado no ensaio de Crow dedicado a Meyer Schapiro e seu famoso trabalho sobre a arte românica francesa, baseado em uma análise da imagem para construir seu significado a partir da perspectiva da história social do trabalho.

 

 

Veracruz 2

 

O encontro seguinte aconteceu em 2002, em Veracruz e na Cidade do México, com o tema “Cidades e culturas urbanas”.[5] As cidades da América Latina foram sujeitas a um crescimento acelerado e distorceram todos os padrões de modernização esperados na era do desenvolvimentismo. Os grandes problemas sociais, a deterioração da vida cotidiana, a escassez e a erosão dos recursos naturais distorceram um clima de civilidade nas áreas urbanas e forçaram a repensar os projetos de desenvolvimento. O impacto da globalização incidiu no desemprego e na violência. Além da violência física, uma nova violência visual surgiu no ambiente urbano. O seminário teve várias apresentações dedicadas à análise da Cidade do México, o problema da água e conflitos sociais quando as terras dos pobres foram invadidas para construir projetos de modernização. Isso mostrou as profundas diferenças entre os projetos dos arquitetos aliados à classe dominante e os interesses e necessidades dos camponeses envolvidos na defesa da terra. Foram vistos diagramas de como a Cidade do México poderia se beneficiar de um projeto racional para um novo aeroporto que traria recursos hídricos e humanos e o colapso total entre este projeto e a reação dos camponeses. Esse colapso entre o rural e o urbano ficou fortemente marcado por um trabalho dedicado à análise de propagandas espetaculares como parte do sonho urbano. Esses anúncios foram vistos como locais de produção e projeção de desejos, nos quais se forja uma nova cultura de consumo para a irritação de muitos que rejeitam tal invasão de seu campo visual, como forma de direcionar a sua participação cívica. Também foram apresentados estudos de caso sobre a vida de certas ruas e áreas, os diversos depoimentos de pessoas que vivem nelas como uma espécie de diário subjetivo da percepção da cidade. A ênfase recaiu na imagem interna e experiencial. Depois de uma estadia na Cidade do México, o seminário continuou em Veracruz com o tema de intervenções em cidades por artistas ou milagres nas cidades (a aparição da Virgem de Guadalupe na Cidade do México) ou a performance coletiva, em Lima, “Lava la bandera”, que de alguma forma contribuiu para a queda de Fujimori. Houve também uma análise comparativa entre a Cidade do México e a cidade de Los Angeles. Brasília e suas tensões sociais foram trabalhadas a partir da descoberta de um arquivo de negativos relacionados ao processo de sua construção.

 

 

São Salvador da Bahia

 

A última reunião como seminário teve lugar na cidade de Salvador da Bahia, Brasil, em 2003. Além da maioria dos membros fundadores do grupo ampliado, participaram outros oradores.[6] O tema proposto “Religiosidade na arte” visava aproximar-se de novos cultos e a reconversão do religioso no campo artístico contemporâneo. Apareceu o tema dos pregadores evangélicos no campo da arte, os novos cultos dos narcotraficantes e as imagens dedicadas a Malverde e Santa Muerte. La jungla do artista cubano Wifredo constituiu um desafio para as interpretações, como um emblema do sincretismo religioso e cultural em que dominam as formas dos orixás oriundos da Santería. O autor, em contrapartida, introduziu o fator político e fez uma nova reinterpretação dos aspectos iconográficos dessa pintura, que ocupa um lugar privilegiado na coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York. Foram trabalhados os temas da vida e rituais atuais dos indígenas, seus aspectos estéticos e sua particular religiosidade, uma nova interpretação da imagem e os processos de impressão imaginários e técnicos. Foram percorridos diferentes territórios, nuances e diversidades. A cidade de Salvador da Bahia foi, sem dúvida, um local apropriado para este tema, devido à localização e seus rituais mistos.

A despedida se deu com uma performance involuntária. Ida Rodriguez Prampolini apresentou nas sessões do seminário o caso da chegada de uma nova religiosidade que se manifesta na santificação popular de Jesús Malverde, protetor dos traficantes de drogas, que é objeto de um culto generalizado especialmente no México. Foi ideia de Ida Rodriguez e Roberto Amigo levar um busto de gesso do santo para a igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia. Fizemos uma peregrinação até lá, mas o templo estava fechado para restauração. Parecia um mau presságio para nós, então queríamos deixar o santo em boas mãos a todo custo. Batemos em todas as portas, até que o encarregado saiu, foi objeto de longas súplicas, especialmente da própria Alessandra Russo e da própria Ida. As noções mágicas que havíamos exposto no seminário tomavam conta de nós mesmos e talvez o vago temor de que a impossibilidade de deixar Malverde naquele lugar sagrado não fosse um bom sinal. Finalmente, Ida e Alessandra triunfaram e Malverde descansa na igreja do Bonfim.

A ideia dos seminários, desde o início, enfatizou a discussão crítica e estes não foram estruturados para organizar a publicação dos trabalhos. Este web site corresponde à decisão de introduzir, na esfera pública, os debates e ideias que surgiram. Ainda não está completo, mas é, como muitos espaços na rede, um site em construção.

 

Notas



[1] Participaram de forma permanente: Roberto Amigo (Argentina), Gustavo Buntinx (Peru), Jaime Cuadriello (México), Thomas Cummins (Estados Unidos), Rita Eder (México), Ticio Escobar (Paraguai), Andrea Giunta (Argentina), Renato González Mello (México), Serge Guilbaut (Canadá́), Natalia Majluf (Peru), Laura Malosetti (Argentina), Gabriel Peluffo (Uruguai), Carlos Rincón (Colômbia), Ida Rodríguez Prampolini (México), Alessandra Russo (Itália-México), Dúrdica Ségota (México), Gabriela Siracusano (Argentina). Participaram em um dos seminarios: Aracy Amaral (Brasil), Diana Briuolo (México- Argentina), Néstor García Canclini (México-Argentina), Olivier Debroise (México-França), Bolívar Echeverría (México), Beatriz Fiori Arantes (Brasil), Juan Gaitán (Canadá́- Colômbia), Frida Gorbach (México), María Herrera (México), Peter Krieger (Alemanha-México), Mirko Lauer (Peru), Ana Elena Mallet (México), María Angélica Melendi (Brasil), Ana María Moraes Belluzo (Brasil), Gerardo Mosquera (Cuba), Ramón Mujica Pinilla (Peru), Pablo Oyarzún (Chile), María Isabel Parada (Venezuela), Adriano Pedrosa (Brasil), Fausto Ramírez (México), Angélica Velázquez (México), Gerhard Wolf (Alemanha- Itália), Gustavo Zalamea (Colômbia).

[2] Dentre eles, Andrea Jáuregui e Gabriela Siracusano (Argentina), Laura Malosetti (Argentina), Natalia Majluf (Perú́), Mirko Lauer (Perú́), Thomas Cummins (Estados Unidos), Renato González Mello, Jaime Cuadriello, Fausto Ramírez e Angélica Velázquez (México), assim como Carlos Rincón (Alemanha-Colômbia), Isabel Parada (Venezuela) e Adriano Pedrosa (Brasil).

[3] Dentre eles, Dúrdica Ségota (México), Diana Briuolo (México), Bolívar Echeverría (México), Beatriz Fiori Arantes (Brasil) e Diana Wechsler (Buenos Aires).

[4] Pablo Oyarzún (Chile), Gustavo Zalamea (Colômbia), Frida Gorbach (México), Ramón Mújica (Peru) e Alessandra Russo (Itália-México).

[5] Este seminário convocou Gustavo Lipkau (México), Néstor García Canclini (México-Argentina), María Angélica Melendi (Argentina-Brasil), Peter Krieger (Alemanha-México), Ana Elena Mallet (México), Olivier Debroise (França-México).

[6] Gerhard Wolf (Alemanha-Itália), Juan Gaitán (Colômbia) e María Herrera (México).

Periódico Permanente é a revista digital trimestral do Fórum Permanente. Seus seis primeiros números serão realizados com recursos do Prêmio Procultura de Estímulo às Artes Visuais 2010, gerido pela Funarte.

 

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