Economias e Sensibilidades

Por Maurício Topal de Moraes – relatos das mesas “Museu: desenvolvimento regional e turismo” 6/6/2011 e "Colóquio internacional: Museus, territórios e identidade”, 08/06/2011

Por Maurício Topal de Moraes

O relato a seguir refere-se a quatro apresentações realizadas em duas mesas, em dias distintos.  A primeira, em 6 de junho, “Museu: desenvolvimento regional e turismo”, contou com as apresentações de Janaína Melo, curadora de arte e educação do Instituto Inhotim; Rosa Maria Gonçalves, coordenadora do Pró-Arte da Fundação do Museu do Homem Americano; e Ingnácio Santos Cidrás, diretor de Ação Cultural da Cidade da Cultura de Galícia. A segunda, “Colóquio internacional: Museus, territórios e identidade”, ocorreu em 8 de junho e também contou com Cidrás, realizando a única apresentação da mesa. Considerando que em ambas as ocasiões Cidrás discorreu sobre um mesmo objeto, a opção por tratar das duas mesas em um único texto, para serem conjuntamente relatadas e analisadas, foi operacional na abordagem desenvolvida aqui.

Existem ao menos dois caminhos distintos, os quais os palestrantes utilizaram em suas comunicações. Estes percursos não se configuram apenas como opções casuais, mas sugerem diferenças significativas na estrutura perceptiva dos apresentadores. A principal distinção pode ser observada entre Melo e Gonçalves, de um lado, com discursos que as aproximam de agentes de instituições culturais ou educativas; e Cidrás, de outro, com a postura que o remete ao ambiente do pensamento empresarial. Como a audiência no Encontro dos Museus é constituída igualmente por indivíduos provenientes de campos específicos, que podem ou não compartilhar das referidas estratégias discursivas, a rejeição apressada do modelo “estranho” possivelmente seria forte tendência em cada interlocutor. O texto que segue procura realizar uma pequena análise dos contextos e interesses que engendram os dois modos de operação. As falas dos palestrantes foram relatadas inicialmente sem mediação crítica, buscando oferecer ao leitor, tanto uma síntese do conteúdo das comunicações, quanto a justaposição que convém à percepção do contraste mencionado. A análise crítica do relato foi reservada para o tópico final.

 

Museu: desenvolvimento regional e turismo

Janaína Melo: Instituto Inhotim

Conforme apresentou Melo, o Instituto Inhotim, localizado na cidade de Brumadinho, Minas Gerais, foi inaugurado em 2004 e aberto para a visitação pública em 2006. Embora seja parte da região metropolitana de Belo Horizonte, Brumadinho possui população reduzida e grande área rural. Segundo Melo, em meio a este ambiente, o instituto procura ser relevante à comunidade local, operando seu acervo – que consiste em uma coleção de arte e um jardim botânico – em consonância com ações educativas e sociais.

A palestrante explica que o terreno onde está o instituto foi adquirido por Bernardo Paz como casa de campo, o qual já possuía uma coleção de arte moderna. O jardim botânico foi iniciado nos anos seguintes. Posteriormente, houve uma mudança no perfil da coleção de arte, já que Paz passou a procurar artistas para que desenvolvessem trabalhos em diálogo com o parque. Um dos primeiros foi Vik Muniz, que optou por fazer um trabalho relacionado à mineração. Em uma área de extração de ferro, construiu enormes desenhos no solo, os quais foram fotografados através de helicóptero. Na mesma proposta, produziu fotos de estúdio, buscando enfatizar contrastes de micro e macro escala. Para Melo, esta série teria grande relevância dentro da coleção de Inhotim, porque, sendo ali uma região de mineração, a paisagem fotografada não seria estranha à maioria dos profissionais do instituto, nem aos moradores locais. No entanto, seria transformada pela operação do artista, que pôde mostrar o mesmo território de forma diferenciada. Melo sugere que o exemplo descrito é ilustrativo de como a instituição visa a consideração pelas especificidades culturais, sociais e econômicas do seu espaço ao convidar determinado artista para realizar um trabalho.

Melo observa que, diferente de outros museus, Inhotim não foi organizado a partir de ambientes delimitados. Isto seria relevante para o modo como opera o acervo em relação ao lugar e para sua proposição museológica de não definir um roteiro ao visitante, oferecendo uma experiência conformada pelas decisões livres dos mesmos. A integração das obras de arte com o jardim botânico também contribui para o estabelecimento de caminhos que não possibilitam a previsão dos encontros e nem mesmo a antecipação do percurso.

Sobre as ações sociais, Melo salienta projetos com comunidades e escolas, trabalhos continuados para professores, alunos, jovens e adultos. Alguns destes programas seriam voltados ao visitante espontâneo, mas também ao corpo técnico do instituto, na maioria formado pela população de Brumadinho, com a qualificação ocorrendo na escola da entidade. Também promovem atividades com quatorze pequenas cidades ao redor de Brumadinho, cujos professores de escolas públicas são convidados a participar de encontros para a discussão a respeito das visitações realizadas com os alunos no parque. Ainda, segundo ela, desenvolvem trabalhos com os jovens locais para aumentar sua integração na região e um programa vinculado ao resgate de bandas tradicionais.

 

Rosa Maria Gonçalves: Fundação Museu do Homem Americano

Gonçalves inicia sua fala apresentando os acontecimentos que levaram à criação da Fundação Museu do Homem Americano. De acordo com ela, localizada no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, a Fundação foi originada a partir do trabalho da atualmente diretora Niéde Guidon, a qual tomou conhecimento das pinturas rupestres da região em 1963. Guidon, nascida na França, visitou o Brasil em 1970, quando esteve em contato direto com as imagens. A partir do material registrado em sua viagem conseguiu apoio para organizar uma missão franco-brasileira visando o aprofundamento dos estudos. Gonçalves observa que, Inicialmente em parceria com a Universidade Federal do Piauí, desde o início a missão desejava que o acervo coletado no local não fosse deslocado para as metrópoles brasileiras ou para o exterior.

Ainda segundo a palestrante, a criação do parque foi sugerida pela missão franco-brasileira no decorrer de seu trabalho e efetivada pelo governo brasileiro em 1979. Em 1986 Guidon assumiu a gestão e iniciou a Fundação Museu do Homem Americano, com objetivo voltado principalmente para a preservação do patrimônio cultural e natural. Já em 1991 o parque recebeu o reconhecimento da UNESCO e em 1996 foi tombado pelo IPHAN. No momento é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em cogestão com a Fundação Museu do Homem Americano.

Gonçalves explica que a região do Parque Nacional da Serra da Capivara encontra-se em área de difícil acesso, enfrenta problemas de escassez de chuva e boa parte dos seus moradores desenvolve atividades como caça, cerâmica, produção de mel e processamento de mandioca. Neste ambiente a fundação promove ações sociais de forma integrada com a população, como o fortalecimento de práticas produtivas locais, assim como propostas educativas, culturais e ecológicas. Além disso, trabalha no aprimoramento da infraestrutura de turismo necessária para a visitação, inclusive para o contato dos visitantes com os sítios de arte rupestre e objetos arqueológicos. Os trabalhos sociais ocorreram desde o surgimento do parque, já que inicialmente alguns serviços necessários não eram supridos pelo Estado. Criaram escolas com educação em tempo integral e suporte ao desenvolvimento de trabalho e renda. A fundação também possui projetos específicos, vinculados à preservação do meio ambiente e construção de poços artesianos para os habitantes.

Dentro de uma proposta de educação patrimonial e ambiental voltada à população, a palestrante ressalta a realização de diversos programas artístico-pedagógicos, promovendo intercâmbios com outras cidades ou países e produzindo espetáculos e festivais de arte. Além disso, possibilitam com que crianças locais atendam o publico do Museu.

 

Inácio Santos Cidrás: Cidade da Cultura de Galícia

Em sua apresentação, Cidrás introduz a Cidade da Cultura de Galícia como um amplo complexo de edifícios para atividades culturais, que vem sendo desenvolvido pela secretaria da Cultura e Turismo do governo galego, na Espanha. Segundo ele, embora tenha inaugurado parte de suas instalações recentemente, encontra-se ainda em fase de construção. Envolve um grande projeto arquitetônico e alto investimento financeiro, no qual estão previstos biblioteca, espaço de arquivo com documentos vinculados à comunidade, lugares de exposições, acervo, teatro, centros de arte contemporânea internacional e outros serviços.

O território de Galícia, afirma Cidrás, localiza-se no limite ocidental do continente europeu. Caracteriza-se como uma área de acesso ao litoral, historicamente marcada por trocas próprias de regiões de passagem e encontros variados. Os fluxos externos também estão vinculados às peregrinações religiosas em direção a Catedral de Santiago de Compostela, ali localizada, onde se encontra o túmulo do apóstolo Santiago. Atualmente, um décimo do PIB da região é proveniente de atividades relacionadas ao turismo e o Caminho de Compostela ainda configura-se como seu maior atrativo. Neste contexto, observa Cidrás, a Cidade da Cultura pretende se estabelecer como a meta cultural e contemporânea do turismo de Galícia, assim como ocorre com a Catedral de Santiago em termos religiosos e históricos. A construção de tal centro contemporâneo de cultura, com prestígio mundial, teria entre seus objetivos atrair os recursos financeiros proporcionados pelo turismo internacional, o qual atualmente representa uma pequena parcela na economia local.

Por outro lado, segundo o palestrante, a Cidade da Cultura também pretende ser o lugar de fomento cultural e integração. Buscará estabelecer uma espécie de infraestrutura para a região, capaz de oferecer conhecimentos e conexões importantes para o desenvolvimento e difusão em âmbito internacional da produção cultural ou artística locais. Além disso, produziria programas complementares, que não podem ser oferecidos pelas instituições menores já estabelecidas. Estas ações implicam o aumento do acesso da população a informações externas e a intensificação da produção cultural local, mas ao mesmo tempo projetam de maneira positiva a imagem internacional da região.

 

Colóquio internacional: museus, territórios e identidade

A mesa desta comunicação não contou com a presença de Américo Castilla, conforme planejado para o encontro. Cidrás fez a única palestra e, assim como em sua apresentação anterior, falou a respeito da Cidade da Cultura de Galícia. Embora buscasse um enfoque diferenciado, houve a retomada de parte da exposição precedente. De todo modo, o relato a seguir evitou repetir o conteúdo já exposto acima.

 

Inácio Santos Cidrás: Cidade da Cultura de Galícia

Nesta segunda apresentação Cidrás repete parte de sua palestra anterior ao reintroduzir a Cidade da Cultura de Galícia ao público presente. Entretanto, no decorrer de sua fala, enfatiza questões específicas, como, por exemplo, a respeito da identidade regional e do território. Segundo ele, a partir da descoberta do túmulo de Santiago, a província passou a ser considerada um ponto de referência na cultura européia. As rotas formadas pelos Caminhos de Santiago, que conectam lugares distantes à Catedral de Santiago de Compostela, foram determinantes em sua história, já que resultaram em novas possiblidades para o comércio, conhecimento e para outros intercâmbios. Os Caminhos de Santiago seriam, conforme Cidrás, parte do DNA da identidade de Galícia. E a Cidade da Cultura estaria intimamente ligada com o contexto destas rotas, inclusive em aspectos formais de sua arquitetura.

Cidrás explica que Galícia possui governo autônomo, localizado na cidade de Santiago de Compostela, responsável, quase exclusivo, pelas atividades e estabelecimentos culturais na região. Como em outras partes do mundo, a crise que afetou o museu tradicional nas últimas décadas levou também a região a criar espaços culturais diferenciados. Museus onde o lúdico e a participação dos cidadãos desempenham um papel efetivo na renovação das práticas expositivas e pedagógicas. Tais espaços atualmente desfrutam de reconhecimento no panorama nacional e internacional da arte contemporânea. Neste contexto, o projeto Cidade da Cultura de Galícia, tendo um alcance maior que instituições menores, buscaria a integração em nível regional e a dinamização criativa em todo o território.

A abrangência territorial da intervenção relativa ao projeto, que não se limita a uma única cidade, justificaria o montante de investimentos públicos envolvidos, defende Cidrás. Contudo, ressalva que o reconhecimento da proposta, enquanto ação de interesse coletivo, depende de sua apropriação por toda a comunidade e do entendimento do seu potencial para o futuro da região. Assim, segundo ele, a proposta direciona uma grande atenção para a aproximação dos cidadãos, ao proporcionar uma oferta cultural diversificada. Também deve fomentar ações artísticas sustentadas na identidade galega, estimular a sustentabilidade do tecido cultural existente e apoiar programas de colaboração. Seu departamento de ação cultural vem desenvolvendo linhas de trabalho que visam experiências participativas e enriquecedoras para todo o tipo de público, exposições, concertos, novos processos criativos, formação para artistas ou gestores culturais e espaços de encontros de âmbito nacional e internacional. Cidrás conclui afirmando que se as identidades culturais estão destinadas à transformação permanente – porque as mudanças resultam e são inerentes à abertura para novos conhecimentos – a Cidade da Cultura consiste em um meio de renovação discursiva da identidade e de apoio a seu dinamismo cultural. Com sua estrutura privilegiada, deve fazer uso de diversas possibilidades não acessíveis em outros contextos.

 

Uma breve análise: economias e sensibilidades

Independente da exatidão das informações ou acuidade de cada fala exposta acima, uma comparação entre as opções discursivas engendradas pelos apresentadores poderia revelar algo a respeito das sensibilidades diferenciadas que os envolvem. Comparação que teria como objetivo evitar um julgamento prévio e criticamente restrito a respeito dos valores em processo.

As diferenças significativas encontram-se na fala de Cidrás (Cidade da Cultura) em relação às de Melo (Inhotim) e Gonçalves (Museu do Homem Americano). A apresentação de Cidrás demonstra uma produção prévia e cuidadosa para o material visual projetado, o planejamento adequado da comunicação e sua habilidade de execução, entonação de voz clara, duração dentro do tempo estipulado pelo encontro. Trajava roupas formais, barba e cabelos bem aparados. Em seu vocabulário, palavras relacionadas a dinheiro, investimento, inovação ou modernização foram usadas. Na lógica interna do conteúdo, procurou expor as vantagens objetivas que seriam obtidas com sua proposta em um contexto econômico amplo. A posição de Cidras parecia explicitamente “interessada” e direcionada para um parceiro também pessoalmente interessado. Cidrás poderia facilmente ser comparado a um executivo do setor privado apresentando um produto a investidores ou clientes. Melo e Gonçalves utilizam projeções elaboradas com menos recursos técnicos. Extrapolaram o tempo e precisaram acelerar a exposição nos minutos finais, provavelmente omitindo algumas partes. Suas falas pareciam guiadas por tópicos abertos, previamente definidos, que resultavam no desdobramento informal do conteúdo. Com descrições prolixas, enfatizavam qualidades intelectuais ou os atributos humanitários das propostas. Trataram de ressaltar as ações sociais realizadas por suas instituições, ou os problemas em que atuavam, e não faziam referência a resultados concretos pretendidos ou à eficácia do projeto. Sem mencionar a relação clara entre a manutenção de sua subsistência e os trabalhos sociais, as instituições foram retratadas enquanto órgãos beneficentes e talvez imunes a interesses particulares.

Entre as considerações que poderiam ser sugeridas a partir destas confrontações, a mais tentadora talvez seja relacionar as diferenças ao campo de trabalho dos expositores: Melo e Gonçalves atuam em projetos educativos; Cidrás vinculado à produção cultural de eventos variados e atualmente trabalha para o governo de Galícia. Entretanto, enquanto portadores destes modos perceptivos diferenciados, a análise de seus casos particulares poderia revelar algo sobre as culturas em que são formados. Por exemplo, a preparação antecipada e a objetividade da apresentação de Cidrás indicam seu empenho especial em obter a aprovação do referente em questão – neste caso, a Cidade da Cultura. Isto supõe que projeta o destinatário – os ouvintes presentes no colóquio – com a postura de conceder ou recusar seu assentimento e que a própria Cidade da Cultura será apreendida como algo que precisa ser corretamente identificado e expresso no enunciado – ou seja, na comunicação. Do mesmo modo, Cidrás parece presumir sua competência basicamente como condicionada ao enunciado proposto ser ou não considerado discutível. Quanto a Melo e Gonçalves, a despreocupação em relação à clareza de suas apresentações insinua que para elas o resultado de seu trabalho não seria determinado pela análise dos argumentos por parte dos destinatários. Parecem julgar os interlocutores como possuindo certa benevolência, os quais, de antemão, iriam conceder sua aprovação a respeito do objeto tratado. A validade dos enunciados e os atributos das palestrantes estariam vinculados simplesmente ao valor intrínseco do que era relatado e a estruturação da comunicação não mostrava-se fundamental. Entretanto, a ênfase altruísta no discurso a respeito das instituições revela o fundamento de sua operação. O valor implicado neste processo teria sido estabelecido previamente na condição substantiva do “ser” – produzida no âmbito ideal ou das ideias – , não por possibilidades concretas para o espaço físico do interlocutor.

A condição idealista aparece geralmente ligada a uma noção de transcendência do espírito, neutralidade, ou desprendimento em relação aos interesses “temporais”. Porém, talvez mais revelador que a análise dos fundamentos conceituais seja situar as duas formas de atuação descritas no contexto dos campos em que são engendradas e empregadas. Se por um lado Cidrás aborda o interlocutor abertamente como potencial parceiro de negócios, nos quais ambos poderiam obter determinadas vantagens, ou seja, enquanto troca ou cooperação, por outro, a mesma perspectiva aparece de modo implícito na atuação de Melo e Gonçalves. Afinal, a postura altruísta subentende certa disposição em compartilhar. A diferença fundamental na formação das duas operações está na forma dos capitais envolvidos: no primeiro caso é objetivamente identificado por meio de uma abstração – a moeda; no segundo, está difuso na percepção dos interlocutores e geralmente é internalizado no próprio corpo capitalizado – no caso específico, as instituições e as palestrantes. Neste sentido, pode ser compreendida a função indispensável, na economia de “capital simbólico”, como denomina Bourdieu, da autoridade conferida ao “ser” e do uso operacional que faz da crença na transcendência.

A proximidade da prática de Cidrás ao que é geralmente concebido como próprio às regras do discurso científico, em relação aos papéis atribuídos ao remetente, destinatário e referente, talvez sugira uma interdependência entre as bases do pensamento crítico ocidental e a cultura intrínseca ao cotidiano da atividade comercial. Assim como as ênfases altruístas de Melo e Gonçalves poderiam indicar certa afinidade com as estratégias econômicas dos modelos de legitimação das instituições monásticas ou governos teocráticos. Nenhuma novidade estaria sendo anunciada aqui e apenas corrobora-se a antiga concepção de que “a ideologia não tem história”. Considerando que cada agente encontra-se culturalmente mais ou menos envolvido em determinada forma de capital, levar em consideração suas ações como atos econômicos em contextos específicos e diversificados poderia ser relevante nas análises e avaliações a respeito dos discursos apresentados a partir de sensibilidades diferenciadas daquelas do analista.