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Inhotim ensaia reabertura

Frederico Gandra* para Estado de Minas, em 07/11/2020. *Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes
Inhotim ensaia reabertura

Museu terá 14 galerias abertas, mas obras cuja fruição envolvem contato físico, como Viewing machine, de Olafur Eliasson, permanecerão interditadas

Instituto de Arte Contemporânea passa a receber a partir de hoje público restrito a 10% de sua capacidade. Determinadas obras e galerias permanecerão fechadas por razões sanitárias.

Há quase oito mesas fechado à visitação pública, o Instituto de Arte Contemporânea Inhotim reabre neste sábado (7), com restrição da entrada a 10% de sua capacidade de lotação, o que quer dizer que serão permitidos apenas 500 visitantes simultâneos. Para eles, estarão disponíveis 14 galerias, oito jardins temáticos, além das obra dispostas no Jardim Botânico. O instituto adota protocolos para evitar a contaminação pelo novo coronavírus e investe em programação virtual neste período de transição. Para a visitação, é necessário retirar ingresso com antecedência no site Sympla.

Os últimos três anos foram marcados por dificuldades no Inhotim. No início de 2018, o surto de febre amarela em Minas Gerais causou uma queda significativa na bilheteria do museu, que passou a exigir cartão de vacinação dos visitantes. Um ano depois, o rompimento da barragem da Vale prejudicou o funcionamento do espaço, que teve de fechar suas portas por 10 dias.

Entretanto, nada se compara aos efeitos da pandemia da COVID-19, neste 2020. O Inhotim interrompeu suas atividades em 18 de março passado. "O impacto financeiro, assim como em todas as outras instituições artísticas e culturais pelo mundo, foi muito forte. No caso do Inhotim, que depende da sua bilheteria, o abalo foi bastante grande", afirma Antonio Grassi, diretor-presidente do Instituto Inhotim.

Grassi aponta, no entanto, avanços na relação com os parceiros neste período da crise sanitária. Durante a pandemia, a Vale se tornou patrocinadora máster do museu, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, contrabalanceando financeiramente a falta de bilheteria para a manutenção do espaço. Ainda assim, o Instituto dispensou funcionários em maio, priorizando a preservação do emprego dos moradores de Brumadinho.

A reabertura do museu obedece a um planejamento de retorno gradual ao padrão anterior à pandemia. "É importante que a gente não tenha um funcionamento com ocupação total, tanto de visitantes como de funcionários, para que, num segundo momento, a gente possa ampliar o número de visitantes. Nós precisamos também aprender a treinar algumas questões para esse formato novo", diz o diretor-presidente.

 

INTERDIÇÃO. Obras e galerias cuja visitação implica interação, contato físico ou manuseio por parte dos visitantes ficarão interditadas. É o caso de alguns dos maiores hits do Inhotim, como as obras Viewing machine, de Olafur Eliasson, Magic Square, de Hélio Oiticica, e Piscina, de Jorge Macchi. As galerias Cosmococa, de Hélio Oiticica, e Fonte, dedicada a mostras audiovisuais, também seguirão fechadas.

"Como a quantidade de obras são bastante amplas, a gente vê que a interdição de algumas obras, neste momento, não danifica a visitação", avalia Grassi.

Segundo ele, apesar do cenário adverso, a retomada das atividades é importante. "A gente vem notando um desejo e uma necessidade grande das pessoas, depois de tanto tempo de quarentena, de estarem num lugar como o Inhotim".

O Inhotim recomenda aos visitantes consulta prévia em seu site dos novos protocolos de saúde e segurança, que estarão vigentes nas 14 galerias abertas. Há regras como o uso obrigatório de máscara e especificações de funcionamento dos pontos de alimentação, circulação e transporte interno.

Para os que preferirem continuar em casa, o museu continuará oferecendo neste mês de novembro uma programação virtual. Durante a quarentena, o instituto teve um aumento de mais de 10 mil seguidores no Instagram e somou mais de 2.400 novas inscrições em seu canal no YouTube. No mesmo período, o alcance das publicações no Facebook foi de 335.518 para 890.256, enquanto o número de visualizações dobrou. "Isso foi um passo muito importante, e a gente acredita que não deveria perder essa conquista", comenta Grassi.

Neste domingo (8), às 11h, a Orquestra de Câmara Inhotim interpreta clássicos da MPB, como Tropicália e Alegria, alegria, numa apresentação gravada dentro de Inhotim, que marca a retomada da orquestra, formada por jovens prioritariamente da Escola de Cordas de Inhotim, que seguiram o período de isolamento social tendo aulas remotas.

O documentário Hélio Oiticica, dirigido por César Oiticica, ficará disponível nas redes sociais do instituto até o próximo dia 27. E em 28 de novembro, será exibido o show Besta fera, de Jards Macalé, em homenagem a Hélio Oiticica. A apresentação será gravada ao lado da Margic Square.

Antonio Grassi se diz animado e ansioso com a retomada das atividades presenciais do Inhotim. "Acho que essa quarentena mostrou a importância da arte e da cultura para as pessoas. O que estamos sentindo é que a arte e a cultura serão muito mais valorizadas do que tinham sido até agora".

 

INSTITUTO INHOTIM

Visitação: sextas (das 9h40 às 16h30), sábados, domingos e feriados (das 9h30 às 17h30). Ingressos: R$ 44 e R$ 22 (meia).

Passaporte 2 dias: RS 76 e R$ 38 (meia). Passaporte 3 dias: R$ 106 e R$ 53 (meia).

Na última sexta feira de cada mês (exceto em feriados) a entrada é gratuita. É preciso retirar ingresso on-line via Sympla, com antecedência.

Protocolo de funcionamento disponível em: http://conteudo.inhotim.org.br/inhotimdevolta-protocolo-de-funcionamento