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Editorial

A Instituição: Entre o Público e o Privado

A Instituição: Entre o Público e o Privado

 

O próprio subtítulo do Fórum Permanente reflete uma questão crucial da instituição de arte: o espaço que ocupa entre o público e o privado. Mesmo acervos privados representam um patrimônio público, um patrimônio da humanidade. Assim, a crítica à gestão deste patrimônio é mais do que lícita: é uma responsabilidade do coletivo intelectual e artístico – gestores, historiadores, críticos de arte, artistas, funcionários de museus, professores de arte.

E não estamos aqui falando apenas de zelar pelo patrimônio que já está nas reservas técnicas de nossos museus: falamos também sobre o patrimônio ainda por vir, ou seja, sobre as condições para que floresçam novas produções artísticas, novas idéias, novos pensamentos.

A Revista do Fórum Permanente pretende ser um observatório da gestão do patrimônio cultural. Como será feita a crítica, o elogio, a reflexão? Da clássica submissão de textos para publicação a páginas de wiki que podem se transformar em mídia para produções artísticas, o fórum quer ser um ateliê de elaboração de um discurso crítico, que pode acontecer em palavras, em imagens, em hipertextos, em videos...

Exemplos não faltam de atitudes de crítica a instituições de arte, seja na arte, na arquitetura, na prática discursiva: Dada, Fluxus, Mail Art, Arte Conceitual, Desconstrutivismo; Robert Venturi, Lina Bo Bardi, James Sterling, Bernard Tschumi, Peter Eisenmann; Marcel Duchamp, Marcel Broodthaers, Piero Manzoni, Yves Klein, Allan McCollum, Joseph Kosuth, Hans Haacke, Daniel Buren, Vito Acconci, Antoni Muntadas, Bárbara Kruger, Jenny Holzer, Sherrie Levine, Louise Lawler, Andrea Fraser; Hélio Oiticica, Cildo Meirelles, Nelson Leirner, Júlio Plaza, Regina Silveira, Carla Zaccagnini, Ricardo Basbaum, Dora Longo Bahia, e muitos outros.

Mas há um caso especial de crítica institucional que queremos enfatizar por ser de natureza coletiva: as Guerrilla Girls que nos anos 80 apareciam em aberturas de exposições em Nova Iorque vestindo máscaras de gorila para protestar sobre o machismo das instituições de arte.

Guerrilla Girls

Copyright © 1989, 1995 by Guerrilla Girls

 

Nesta época de busca frenética por fama, nunca ninguém reivindicou autoria das ações das Guerrilla Girls. Há suspeitas sobre quem forma o grupo (que por sinal mantém-se ativo e possui um website: http://www.guerrillagirls.com/) e na lista de suspeitos há artistas, funcionários de museus e críticos de arte.

A participação mista de vários agentes culturais talvez explique a perseverança e longevidade daquele projeto irreverente. Esperamos que o Fórum Permanente congregue diferentes grupos, perfis, opiniões e estilos de defesa de políticas culturais benéficas ao patrimônio artístico brasileiro.