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Introdução à Museologia: Museologia para Todos! - Ulisses Franco

Esse conteúdo faz parte do trabalho final desenvolvido para a matéria Introdução à Museologia, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicação e Artes, ministrada pelo Professor Dr. Martin Grossmann. O aluno Ulisses Franco participou dessa matéria no segundo semestre de 2017.

Página Inicial

Introdução à Museologia #01 - O que é um Museu e qual sua Função?

Introdução à Museologia #02 - Organização e Curadoria dos Museus

Introdução à Museologia #03 - O Museu de Arte Moderna

Introdução à Museologia #04 - Os Museus e a Sociedade

Considerações Finais


A contemporaneidade pode ser marcada por alguns elementos básicos. Entre esses elementos encontra-se a desigualdade. Desigualdades apresentadas em diversas formas, intencionais ou não, conscientes ou inconscientes, integradas entre si ou únicas em sua materialização. Essa desigualdade acaba por se manifestar em diversos aspectos da vida humana em sociedade e na maneira de lidar com outros seres humanos e com as criações humanas, os produtos da ação humana. É por exemplo nesse contexto de desigualdade que P. Bourdieu desenvolve a ideia de Capital Cultural detido por determinados grupos sociais e não por outros dentro de certa sociedade. Ligado nesse caso ao Capital Financeiro, também um elemento de desigualdade social que molda as relações humanas e os elementos criados pelo homem para determinados fins.

Além da Desigualdade, as sociedades contemporâneas são marcadas pela informação. Distribuída, compartilhada, vendida, acessada e produzida de diversas maneiras, mas cada vez mais por meio da internet e das conexões virtuais. A informação tem poder de interferência nos elementos que moldam o Capital Cultural de determinado grupo. São elas que podem, a partir de um processo de criação de conhecimentos e integração de saberes, moldar os elementos que permitem a apreensão de códigos e linguagens de elementos criados pela cultura humana. Ou seja, a integração de informações em redes de conhecimento permite consolidar determinado Capital Cultural.

Porém, nesse processo de difusão do Capital Cultural, visando diminuir as desigualdades neste meio, apresenta-se a necessidade de interlocução entre aqueles que dominam os códigos culturais e artísticos com aqueles que não os detém. Essa interlocução, no entanto, tem se proliferado cada vez mais para diversos ambientes e situações. Outrora promovida pelas Escolas, Bibliotecas e Museus, como elementos educativos e criadores de um grupo social minimamente homogêneo em seu inconsciente coletivo, essa atividade pode ser realizada, agora, em locais e situações para além das instituições.

  • A Proposta:

A proposta é demonstrar como determinados tipos de saber podem ser passados por elementos e linguagens próprios da contemporaneidade. E o saber, no contexto deste trabalho, é a própria museologia colocada em questão. A tarefa tradicional do museu de transmissão de determinados códigos e linguagens para determinados grupos sociais é transferida para um novo veículo e uma nova linguagem, que por sua vez tem o objetivo de explicar e exemplificar a própria concepção do museu e sua função. A tarefa do museu é transferida para outro objeto para que esse objeto explique a concepção e a essência da tarefa que lhe foi atribuída, mas que originalmente pertencia ao museu. Um veículo de transmissão de conhecimentos, códigos e linguagens (que seria o museu e agora é o vídeo) falando exatamente sobre a formação, difusão e desenvolvimento de um veículo de transmissão de conhecimentos, códigos e linguagens (que nesse caso é o museu).

Partindo das ideias da própria Museologia, de seleção, catalogação, recorte e exposição de determinados elementos visando a criação de determinados discursos e visões, um meio apropriado para a exposição e veiculação deste trabalho é a plataforma online de difusão, apropriação e consumo de material audiovisual: o YouTube. Sua organização e funcionamento aproximam-se muito da organização e funcionamento das instituições museológicas. Selecionando arquivos por determinados motivos, pessoas ou produtoras enviam tais arquivos para a rede visando criar um efeito no público, que a princípio se comporta como consumidor daquilo que mais lhe interessa ou agrada. Consumo realizado entre uma seleção e exposição de determinados arquivos (podendo ser chamados de objetos) escolhidos para serem expostos, ou seja, esses arquivos/objetos passam por um momento de curadoria, tanto daqueles que os produziram quanto dos próprios reguladores da plataforma, visando criar um ambiente de consumo de informação apropriado e efetivo. Os vídeos funcionam como objetos expostos ao possível consumo do público.

  • O Veículo e a Abordagem:

Especificando de maneira mais prática, esses vídeos que tratam sobre a Museologia a partir de diversas facetas e de maneira didática, expondo e questionando as concepções do senso comum e da academia sobre a Museologia, são colocados em exposição a partir de uma curadoria, que preparou, selecionou, organizou os temas e sequências, em um ambiente expositivo, que é a plataforma do YouTube, visando realizar a função do objeto que analisa, o museu que transfere conhecimentos, códigos e linguagens.

Por questões práticas e visando um público específico, como qualquer curadoria, o ambiente selecionado foi o canal do YouTube do próprio autor deste trabalho, que já apresenta certo histórico de produções relacionadas ao ambiente escolar e acadêmico principalmente nas áreas das humanidades (História, Filosofia, Literatura, Artes). Disponível em: https://www.youtube.com/channel/UCG8-CJLOsNKc2TpNclgBKUg?view_as=subscriber . Estando voltado para público jovem em formação escolar ou universitária de ambos os sexos e com acesso à internet e meios de comunicação.

De maneira geral, os temas abordados estão relacionados em grande medida com aqueles abordados durante o curso. Porém, o diferencial aqui é a linguagem e o recorte. Visando alcançar um público leigo ou externo à academia e às ligações diretas com a própria Museologia, foi escolhida uma abordagem didática e dinâmica também em conformidade com o próprio veículo do material. Dessa forma, grandes aprofundamentos em temáticas ou discussões próprias da academia e dos detentores desse conhecimento foram deixadas de lado e ou tratadas superficialmente. Além disso, a exposição visual, as falas de maneira fluída e a duração da gravação foram organizadas de forma a dar prioridade ao alcance de maior público. Isso tudo, no entanto, não impediu a alocação de abordagens, temas e informações de forma conectada por meio de hiperlinks na sessão SAIBA MAIS de cada um dos vídeos.